A Psicoterapia Breve e Focal e suas abordagens em momentos de crise (Covid-19).
A Psicoterapia Breve e Focal e suas abordagens no momentos de crise
(Covid 19).
Por: Rivane Montenegro
- O que diferencia e aproxima as práticas da Psicoterapia Breve da Psicoterapia Focal:
Quando estudamos a ciência e as teorias que dela surgiram, a história deste ‘nascimento’ é parte essencial na compreensão dos fundamentos e práticas para o público que se destina. Estas abordagens auxiliam no enfrentamento dos diversos conflitos que pressiona o indivíduo apresentando os mais variados quadros da psicopatologia.
A Psicoterapia Breve tem a sua origem na Psicanálise, e podemos ter como exemplo o Caso Katharina[1] aonde por ‘acaso’ Freud através do quadro de angústia apresentado por ela, e de como conduziu a situação, refiro-me a desta forma por não ter sido um atendimento convencional entre psi e paciente, viabilizou a explanação de seus sintomas e utilizando da ferramenta investigativa, provocou à associação dos elementos de acesso a memória inconsciente do fato, à priori ser o centro de sua condição, em um curto espaço de tempo, logo se pode inferir a capacidade da Psicoterapia Breve em propiciar a liberação do fator angustiante e disponibilizar o real desencadeador do processo, minimizando ou resolvendo em parte a condição de sofrimento.
Já a Psicoterapia Focal, é uma modalidade da Psicoterapia Breve que foi desenvolvida a partir das contribuições de Firenczi, Alexander, D. Malan, P. Sifneos e L. McCullough, que busca resolver a queixa do paciente ou do conflito predominante, procurando encontrar a situação causadora de conflito e que é a determinante de sua queixa ou sintoma. Possibilita que o paciente experimente através do relato de um trauma do passado, até o momento reprimido, vivenciado neste momento com o terapeuta que pode resultar em uma nova experiência emocional tendo à psicoterapia a função catalisadora deste processo.
A condição temporal que vivemos promove o processo reflexivo sobre os efeitos que cada situação é apresentada, isto é, a espera por algo que para nós trará satisfação é um tempo que podemos administrar em contrapartida aguardar por algo que pode originar desconforto pode resultar em sentimento causador de mal estar. Vale ressaltar que os sentimentos adversos se apresentam no processo terapêutico, sendo por muitas vezes o responsável de resultados positivos ou o abandono do tratamento.
Freud considerava que o tempo e o espaço são “formas necessárias do pensamento”.
A utilização das teorias breve e focal serão legitimadas através do que for apresentado pelo paciente, sua queixa e condição psíquica são fatores fundamentais para que possamos nortear o que trouxer maior eficácia em sua saúde mental.
Por serem psicoterapias com um tempo ‘delimitado’ exige maior atividade reflexiva das partes e principalmente capacidade de renúncia do psicólogo, que em algumas situações, e apesar de detentores de conhecimento teórico e experiência profissional, podemos ser um ‘mero’ apoio no alívio das angústias ou motivadores para reestruturação em prol de seu bem estar, mas não necessariamente a ‘cura’ tão desejada.
Poderia citar e comentar infinitamente as terapias aqui mencionadas, o que sempre é um prazer em se tratando da ciência Psicologia, porém gostaria de ser um agente estimulador do pensamento sobre o que vivemos neste momento de pandemia mundial com o Covid – 19, e como poderíamos fazer uso destas possibilidades de suporte terapêutico:
Psicoterapia Focal que atinge diretamente a queixa principal do indivíduo deixando de lado outros aspectos da personalidade,
ou
Psicoterapia Breve que através do sintoma apresentado investiga e impulsiona o processo associativo aos demais componentes causador do conflito.

