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O estresse como fator desencadeante das psicopatologias.

O estresse como fator desencadeante das psicopatologias.

Por: Rivane Montenegro

https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2020/05/08/morre-homem-que-causou-principio-de-incendio-ao-tentar-fugir-de-hospital-em-salvador-diz-familia.ghtml

Estamos convivendo com noticiários onde a maioria dos óbitos ocorre em decorrência da Covid-19. E, particularmente, este caso tem relação direta com a saúde mental O paciente do link citado, ateou fogo no quarto que estava internado, fator que aciona o profissional da ‘psi’ em deter maior atenção às possíveis causas desta tentativa de suicídio.

O paciente não possuía registros de distúrbios psiquiátricos, até então diagnosticado. A conclusão diagnóstica médica foi que  falta de oxigenação tenha sido a causa para o surto psicótico.

No entanto, devemos considerar o estresse causado pela hospitalização nos indivíduos, onde uma parcela significativa apresenta sintomas de agitação motora e alucinações visuais e/ou auditivas durante este período, por estarem diante de alterações severas em suas rotinas e o ‘medo’ que circula pelo ambiente hospitalar. Ao se vê diante de manejos clínicos inerentes a sua vontade, porém, parte dos protocolos do cuidado hospitalar. Que neste caso fora explicitado pelo Sr. ‘A’ desde o momento de sua internação: ‘quero ir para casa’.

Podemos nos apropriar do caso, onde o paciente apresentou sintomas sugestivos de covid-19, e foi necessária a sua internação, mas que havia outro fator ameaçador, porém, não apresentava sintomas visíveis. Desta forma os indivíduos que sofrem de algum distúrbio psíquico se tornam vítimas de si mesmo, pois, muitas vezes os sinais não são percebidos ou não se quantificam o bastante para um olhar detalhado de seu comportamento, que oscila entre o bloqueio, ou rigidez das emoções ao seu descontrole.

Estamos diante de uma pandemia jamais vivida no mundo e no Brasil, em número de contaminados e óbitos. Num breve resumo podemos relembrar as pandemias que abalaram o cenário mundial como a Peste Negra no século IVX causando uma média de 100 milhões de mortes; a varíola que atormentou por mais de 3 mil anos; a cólera que teve sua primeira epidemia em 1817 e até o momento ainda causa vítima, se mantendo como pandemia; a gripe espanhola que deixou seu rastro com aproximadamente 50 milhões de mortos em 1918, e o Covid-19 que até o momento ultrapassa o número de 4 milhões de infectados e cerca de 280 mil óbitos em todo mundo.

Diante deste cenário caótico o isolamento social e as medidas de atenção com os casos suspeitos se tornaram parte de nossa sobrevivência, a nossa rotina sofre impacto diariamente, e é neste ambiente que o surgimento de sintomas depressivos, de ansiedade dentre outros têm o campo propício de instalar-se. Esta é a forma como o inconsciente responde ao medo e a solidão, os sentimentos se misturam, viabilizando a inadequação do indivíduo ao que está sendo pressionado a processar.

Este turbilhão de emoções sobrecarrega o ciclo do sujeito que sempre esteve na condução de agente de suas ações para se tornar um ser passivo às condições de desconforto causadas pelo risco iminente de morte.

Mais do que nunca a saúde é o foco de atenção mundial, e a oferta do cuidado ao indivíduo deve acontecer em sua integralidade: corpo e mente formador de sua estrutura biopsicossocial.

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